quarta-feira, 31 de outubro de 2012


EPÍGRAFE


Embora ninguém possa voltar atras e fazer um novo comeco...Qualquer um pode comecar agora e fazer um novo fim.      




Chico Xavier

quarta-feira, 24 de outubro de 2012

Resenha -Resumo 
A autoridade, o desejo e a alquimia da política: linguagem e poder na constituição do papado medieval (1060-1120)
As palavras ressoaram amargas aos ouvidos do velho bispo. Eram secas, ásperas, de uma rispidez cortante. Formavam um tipo de som rude e sem concerto. Ele acreditava que jamais ouviria o nome de um ministro da fé, um eleito para o alto grau do episcopado, ser proclamado em falas como aquelas. Sobretudo, o seu próprio nome. Filho da aristocracia veronense e ilustre benfeitor de igrejas e monastérios, o bispo de Parma não imaginava que escutaria alguém se referir a ele como o homem que "universalis ecclesia tanquam loetale virus evomuit, ut revera putridum membrum de propriis visceribus amputavit, in geennalis baratri profunda demersit, et quasi stercus hominum intra latrine obrutum obstruxit" (a Igreja universal vomitou como veneno mortal, amputou de suas próprias vísceras como um órgão pútrido, mergulhou em um profundo poço infernal e escondeu em uma latrina como se fosse excremento de homens).
Leste da Gália, sessenta anos depois. A busca de duas ordens religiosas pela pureza da vida monástica prosseguia pela correspondência trocada entre um abade e um prior. Insatisfeitos com um acentuado formalismo ritual e uma excessiva ornamentação exterior da fé, Bernardo, abade de Clairvaux, e Guigo, prior da Grande Cartuxa, encorajavam-se mutuamente a persistir nos votos de guiar os monges para o encontro com a misteriosa voz celestial que se entrega aos ouvidos somente no isolamento e no silêncio do claustro. Mas, para levar essa obra adiante, alertou Bernardo a seu interlocutor, seria preciso conhecer os tipos humanos. Pois - prosseguia o abade em suas cartas - a existência terrena diferencia aqueles que nascem iguais e vêm ao mundo indistintamente, à imagem e semelhança de Deus. Ela marca seus corações, confunde seus espíritos e isso faz da tarefa de discipliná-los um fardo insuportável. Há aqueles que amam a Deus por que o consideram bom. Estes são os verdadeiros filhos, reconhecem a face do Pai e rendem-lhe orações e boas obras; sabem que praticar a caridade é estar em comunhão com a vontade divina. Porém, existem os que amam a Deus por que ele é poderoso. Estes são escravos em suas consciências, estão dominados pelo apego a si mesmos e seu amor não passa de um temor pela própria integridade. Por fim, dizia Bernardo, há uma terceira categoria de homens: os que amam a Deus por que ele se mostra bom para eles. Estes enxergam no Pai somente alguém que lhes traz vantagens. Seus olhos são sensíveis às aparências, seus corações impenetráveis para a fé. Saciar os próprios interesses é o único princípio que reconhecem. 
Segundo o notório cisterciense, através da capacidade de desejar realiza-se na alma a comunhão existencial almejada pelo próprio criador desde as origens. E quando Deus se afasta de seu rebanho, desamparando-o, ele, na realidade, age da forma mais eficaz para atiçar a sensação de falta, de privação, isto é, para mover as engrenagens do desejo: nempe qui idcirco recedit ut avidus requiratur, quonam modo, si abesse nescitur, quiritur? (por esta razão ele [o Espírito Santo] se retira, para ser desejado mais avidamente: de que modo poderíamos sentir sua presença, se não ansiássemos por sua ausência?).Por certo - continuava Bernardo - Deus se revela ao gênero humano desde o tempo dos patriarcas. 

Resenha - Resumo

Caridade, abre as asas sobre nós: política de subvenções do governo Vargas entre 1931 e 1937

É reconhecido plenamente que ao longo das décadas de 1920 e 1930 houve uma expansão de medidas políticas voltadas à assistência aos pobres na forma de caridade e/ou filantropia. Direta ou indiretamente, essas políticas agiram em favor da união de interesses entre o Estado brasileiro e a Igreja católica, o que significou para esta última, um acréscimo em número de instituições e no prestígio que angariou para o desenvolvimento da assistência nos moldes cristãos.1
Nessa época, o relativo alcance das tensões que marcaram desde 1889 o convívio entre a República e a Igreja foi superado pela remoção de um paradoxo vivenciado pelas elites republicanas. Ao fundarem um Estado laico no qual iriam predominar episodicamente correntes anticlericais, essas elites demonstraram pouca disposição em assumir de forma pragmática a separação Estado-Igreja de 1890, substituindo-a, para empregarmos um termo weberiano, por uma afinidade eletiva que implicou na atração recíproca entre sucessivos governos políticos e católicos para que objetivos aparentados pudessem realizar-se. Limitaram-se tais elites, com efeito, a produzir um exercício retórico que parecia mais expor precauções diante da maioria católica, e menos uma ação que aprofundasse medidas de laicização afeitas às sociedades políticas contemporâneas.
Entre o período demarcado pelo governo provisório e o governo constitucional de Vargas (1930-1937), foi que a Igreja e suas organizações mais puderam usufruir, legal e financeiramente, de benefícios direcionados ao desenvolvimento de seus projetos pastorais e administrativos no campo específico da caridade.

Entre caridade e política: a república das subvenções


Na década de 1930, a caridade se apresenta como termo-chave que nos aproxima da compreensão sobre o funcionamento das políticas de subvenção praticadas pelo governo. Desenvolvidas pela práxis racional-legal elas permitiram o trânsito nas relações entre Estado e sociedade civil, e, particularmente, entre Estado e catolicismo em, pelo menos, dupla valência: assistir ao exército de desvalidos, órfãos, "artífices do ócio" que estavam à margem do discurso de modernização proposto pelo Estado no pós 1930; e garantir o fluxo ininterrupto de recursos para centenas de organizações particulares que se ofereciam como portadoras de um projeto público de perfil salvacionista.
Quanto à forma de fiscalização e inspeção dos estabelecimentos, o decreto mandava que o Ministério da Justiça e Negócios Interiores designasse funcionários de sua imediata confiança, em número não superior a cinco. Competiam a esses funcionários, três funções básicas: inspecionar todas as dependências do estabelecimento, de modo a poder fazer juízo completo sobre as suas condições de higiene e instalação, bem como sobre a eficiência de todos os serviços, notadamente os que fossem prestados gratuitamente; verificar se o auxílio concedido fora dado em proporções aos serviços prestados e se eram observados pelos dirigentes da instituição os dispositivos do regulamento, estatuto ou compromisso, podendo exigir todos os elementos e informações necessários à perfeita elucidação desse ponto; examinar os livros de receita e despesa, matrículas, registros e outros a respeito da vida interna do estabelecimento, podendo exigir contratos, compromissos ou termos de responsabilidade, dos quais decorriam ônus à instituição.


segunda-feira, 17 de setembro de 2012

considerado de diverso autor sobre a origem da vida a historia dos seres vivos
tesse, A.C. biologia ensino médio vi, 1º E1 São Paulo F T D, 2007 capitulo 46

Sergio linhares,Bacharel e licenciado em historia natural pela universidade do brasil ( UFRJ)

Fernando Gewandsznajder, licenciado em biologia e Doutor.

O cientista Francisco Redi (1626-1698) foi o primeiro a questionar uma hipótese alguns cobertos com gaze e deixando outro abertos . Redi realizou suas conclusões afirmando que tordos os seres vivos vem sempre dos outro seres vivos era teoria da biogênese.
Em 1862 cientista francês Louis Pasteur (1922-1895) ferveu cado de cana e consegui conserva-lo estéreo por muito tempo  em um vidro cujo formato embora permitia a entrada de ar ( o que segundo os defensores da geraçao espontânea , era essencial para que  microrganismo surgida ela matéria em vida ) impedia que a poeira, se no clado depois de vários meses, fez com que o caldo entrasse  em contato com a poeira e surgiram micróbios no liquido  a teoria da geração espontânea.
os primeiros anfíbios devem ter surgido de um grupo de cronopterígeos . No período daomeano quando pântanos e lagoas nofreram seca periodicas.
No fim do período  permiano, horevel a maior extinção em mana de espécies na historia do planeta : cerca de 90% das especies desapareceram.
no inicio da era megozoica.
uma das aves mais antigas é o arquiopteaix, cujo fóssil data de 150 milhões de anos no período, antes das aves no triarrico ha cerca de 240 milhões de anos surgiram, dos terapsidas os primeiros mamíferos

considerado de diverso autor sobre a origem da vida a historia dos seres vivos
tesse, A.C. biologia ensino médio vi, 1º E1 São Paulo F T D, 2004

José Mariano, Martho biologia das células
A derrubada decisiva da teoria da abiogênese (ou teoria da geração espontânea) levou a uma nova dúvida: já que os seres vivos não são oriundos de matéria inanimada, qual seria, então, a origem da vida? Uma das hipóteses lançadas para responder a essa pergunta é a teoria da evolução molecular.
Baseando-se nessas teorias, diversos compostos orgânicos foram sintetizados em laboratório em experiências que simulavam as condições supostamente existentes na Terra primitiva. Esse trabalho de produção artificial de moléculas foi desenvolvido pelo químico estadunidense Stanley Lloyd Miller no ano de 1953. Miller arquitetou um simulador formado por tubos e balões de vidro interligados e colocou nesse aparelho uma mistura dos gases metano (CH4), amônia, (NH3), hidrogênio (H2), e vapor d’água. Essa mistura gasosa foi, então, submetida a fortes descargas elétricas durante alguns dias.A teoria da evolução molecular é complementar à teoria da Panspermia, que defende que a vida na terra é oriunda de substâncias precursoras de vida proveniente de outros locais do espaço. Os defensores da panspermia afirmam, que, onde quer que a vida tenha surgido, todo o desenvolvimento se baseia na evolução molecular.x

sexta-feira, 17 de agosto de 2012


Alimentação, nutrição e saúde: avanços e conflitos da modernidade




A magnitude das melhorias ocorridas no ambiente global no último século, decorrentes dos progressos nas áreas de tecnologia e ciências, não permite que sejam listadas, mas imagens representativas destas certamente fluíram pela mente do leitor. Os avanços na agricultura e no processamento dos alimentos os tornaram mais disponíveis e facilitaram o consumo. Progressos tecnológicos viabilizaram a realização de atividades complexas e fisicamente desgastantes em curto tempo e com gasto energético reduzido. É razoável supor que a maior eficiência na execução de tarefas, auxiliadas pela informática, implicou em ganho de tempo e de dinheiro. Produtos químicos e farmacêuticos, aliados à engenharia genética, têm sido capazes de manipular seres vivos e alterar seu curso de vida a favor da humanidade.À primeira vista, essas melhorias no ambiente moderno deveriam resultar em melhora do estado nutricional das populações e menor nível de estresse psicológico, contribuindo para sua qualidade de vida e longevidade. As razões que apontam falhas nesse raciocínio simplista são muitas e apenas um ângulo desse largo espectro será abordado. O ângulo escolhido é o da nutrição do homem, que foi direta e radicalmente afetada por progressos acima citados. A transição nutricional, associada à demográfica, trouxe um novo cenário em termos de morbidade e mortalidade na maioria das regiões do globo, impactando na saúde humana de forma mais ou menos grave. A carga genética certamente contribui para parte da heterogeneidade do quadro mundial de morbimortalidade. Outras linhas de evidências asseguram também importante papel deletério de fatores presentes particularmente no ambiente ocidental. Com isso em mente, estudos de grupos populacionais que migram para condições ambientais contrastantes podem fornecer subsídios relevantes para entender a gênese de doenças relacionadas ao ambiente.Apesar da importância das mudanças demográficas, que alteraram o formato das pirâmides populacionais e deslocaram a média da expectativa de vida do homem, a presente análise da transição epidemiológica será focada na transição nutricional. Na continuidade, certos alimentos e/ou nutrientes receberão ênfase, considerando a atenção despertada na literatura.

TRANSIÇÕES NUTRICIONAL E EPIDEMIOLÓGICA Quedas nas cifras de desnutrição têm sido invariavelmente registradas nas diferentes regiões do mundo. Em paralelo à mudança do panorama nutricional mundial, documentaram-se reduções graduais na ocorrência de doenças infecciosas e na mortalidade por essas causas. Uma alimentação adequada em termos quantitativos e qualitativos garante o aporte de macro e micronutrientes essenciais para o bom funcionamento do sistema imunológico debelando agentes agressores. Hoje se sabe que citocinas com propriedades imune-inflamatórias não são produzidas apenas por células mononucleares circulantes ou teciduais, mas também pelos adipócitos. Apesar do baixo aporte calórico-protéico de crianças em regiões do continente africano, e mesmo no norte de nosso país, levá-las à subnutrição e vulnerabilidade a infecções, o distúrbio nutricional predominante na atualidade é a obesidade.O excesso de tecido adiposo, especialmente quando acumulado em certos locais do organismo (intra-abdominal ou visceral), traz consequências desastrosas à saúde. Adipócitos hipertrofiados em resposta à oferta exagerada de nutrientes têm prejuízos nas suas funções. Tais células passam a produzir quantidades anormais de citocinas pró-inflamatórias; além disso, monócitos são atraídos para esse tecido na condição de obesidade. Dessa forma, potencializa-se a secreção de citocinas, implicadas na fisiopatogênese das principais doenças crônicas não-transmissíveis (DCNTs) que afetam o homem na atualidade.A transição de um estado de subnutrição para o de nutrição excessiva foi, em grande parte, responsável pela mudança no perfil de morbidade das populações. Doenças infecciosas perderam espaço entre as principais causas de mortalidade dando lugar às DCNTs. Entre estas, estão o diabetes mellitus tipo 2 (DM2), a hipertensão arterial, dispidemias e a doença cardiovacular aterosclerótica, que se constituem em importantes problemas de saúde pública nos diferentes continentes, independente do seu grau de desenvolvimento. O Brasil encontra-se numa fase avançada da transição nutricional e o percentual de indivíduos com excesso de peso supera em muito o daqueles com déficit de peso (1).A obesidade (índice de massa corporal > 30 kg/m²) atinge hoje proporções epidêmicas mundialmente. No Brasil, as cifras são crescentes, situando-se ao redor de 13% entre as mulheres e 9% entre os homens brasileiros (2). Entre os determinantes ambientais de obesidade, os hábitos dietéticos têm um papel preponderante. Ao lado da alta densidade energética dos alimentos atualmente consumidos, certas composições dietéticas (excesso de gorduras saturadas e sal e consumo insuficiente de frutas e hortaliças), especialmente se associadas à inatividade física, aumentam a adiposidade corporal e apresentam forte associação com DCNT (3).Os padrões de consumo alimentar no Brasil sofreram intensas e rápidas modificações no período recente, agravando o cenário epidemiológico das DCNT. Dados da Pesquisa de Orçamento Familiar (2) permitem conhecer o tipo e a quantidade de alimentos que as unidades familiares adquirem, refletindo a disponibilidade dos mesmos para consumo no domicílio. As diferentes fases dessa pesquisa também têm fornecido informações relevantes sobre o comportamento do estado nutricional da população adulta brasileira nas últimas décadas. Verificaram-se aumento no consumo de gorduras e redução no de carboidratos em geral, apesar da ingestão excessiva de sacarose.Embora a obesidade seja a enfermidade metabólica mais antiga que se conhece, o controle e manutenção de peso corporal adequado continuam sendo dos maiores desafios dos profissionais e agências de saúde da atualidade. Mudanças nos padrões de alimentação e a explosão das DCNTs nos países em desenvolvimento levaram a Organização Mundial de Saúde (OMS) a propôr uma estratégia mundial de prevenção das DCNTs, visando à promoção de padrões saudáveis de alimentação e de estilo de vida ativo. A "Estratégia Global para a Promoção da Alimentação Saudável, Atividade física e Saúde" incentiva que os países apliquem-na segundo sua realidade, integrada às suas políticas para promoção da saúde e prevenção de DCNTs (4).Dentre as recomendações da OMS sobre dieta estão o aumento do consumo de frutas, verduras e legumes e a restrição ao consumo de gorduras, especialmente as saturadas. A inadequação no consumo de vegetais está entre os cinco principais fatores de risco para a carga global de doença. Esses alimentos são importantes na composição de uma dieta saudável, pois, além de ricos em micronutrientes, fibras e compostos bioativos com propriedades funcionais, apresentam baixa densidade energética. Por outro lado, o consumo de gorduras saturadas e ácidos graxos trans deterioram o perfil lipídico do plasma, importante fator de risco para doença aterosclerótica, principal causa de morte de diversas populações (5).

ADIPOSIDADE CORPORAL E SAÚDE HUMANA Comumente, a adiposidade corporal é quantificada pela medida do peso. Um acréscimo significativo nessa medida sinaliza para a necessidade de se reduzir a ingestão calórica. Por quê? Isso decorre das amplas evidências de estudos epidemiológicos prospectivos de aumento de mortalidade por DCNTs à medida que o índice de massa corporal se eleva. Para certos tipos de cânceres, essa curva de mortalidade pode ser diferente, com aspecto em "J". Deixando de lado essa última DCNT, até quanto se deveria reduzir a ingestão calórica para minimizar a mortalidade precoce ou, quem sabe, até superar a média de expectativa de vida?Estão disponíveis na literatura evidências de que a restrição calórica – se executada sem produzir desnutrição – prolonga a vida de animais em laboratório, bem como reduz a incidência de certas DCNTs. As primeiras observações de que ratos submetidos à restrição alimentar viviam mais que aqueles alimentados ad libitum surgiram nos anos 1930 (6) e, a partir da década de 1970, aprofundaram-se os estudos sobre o sistema imune desses animais. A possibilidade de se viver mais e com qualidade obviamente despertou grande interesse nos pesquisadores, tendo havido avanço no entendimento dos mecanismos que retardam o envelhecimento em animais (7). É provável que dietas restritas em calorias revertam em mudanças fisiológicas (por exemplo, menor estresse oxidativo) que prolonguem a vida. Vários anos são necessários para elucidar os complexos processos que controlam a longevidade; a partir daí poder-se-ão propor estratégias dietéticas para prolongar a vida, sem sofrer fome em demasia. A literatura carece da resposta se a constante sensação de fome decorrente da dieta de baixa caloria representaria um crédito para mais e melhores anos de vida.Mais ampla é a literatura que investiga o papel de certos padrões dietéticos, alimentos, ou de nutrientes na adiposidade corporal e, consequentemente, no risco para DCNT. Quando o assunto é "emagrecer", não há consenso sobre a superioridade de um tipo de dieta sobre outro, a não ser quando se insere particularidades do indivíduo em questão. Assim, o denominador comum é "cortar calorias", mas um olhar exclusivo na quantidade é equivocado, devendo haver qualidade da dieta para obter saúde. Alimentos ricos em gorduras, especialmente em ácidos graxos saturados e trans, típicos da dieta ocidental, são os vilões do momento. Cronicamente, dietas ricas em gorduras alteram a microbiota intestinal, favorecendo inflamação e resistência à insulina; provocam elevação da LDL-colesterol circulante predispondo à aterogênese. Em contraste, dietas com elevadas proporções de gorduras insaturadas e de fibras alimentares têm sido associadas à proteção contra DCNT. É o caso da dieta mediterrânea (8), que passou a ser das mais recomendadas pelo nutricionista e pelo médico. Os benefícios da elevada ingestão de gorduras mono e poliinsaturadas, combinados aos efeitos antioxidantes de micronutrientes presentes nos vegetais in natura, se refletem em mudanças favoráveis em células de diversos órgãos, reduzindo sistemicamente o estresse oxidativo e, em particular, na parede arterial minimiza a deposição de lipoproteínas e o processo aterosclerótico.Quando o tema é adiposidade corporal, outros fatores característicos do moderno estilo de vida não podem ser negligenciados, como a inatividade física e o estresse. Desequilíbrio entre aporte e gasto energético é a maneira mais simples de se visualizar o papel da atividade física na manutenção de adiposidade adequada. Ambos, inatividade física e o estresse, participam também da distribuição do tecido adiposo no organismo. O indesejado aumento da gordura visceral está associado ao estresse, via liberação de cortisol e catecolaminas. Citocinas oriundas do tecido adiposo visceral induzem a estado de inflamação crônica subclínica e resistência à insulina, que deterioram o metabolismo glico-lipídico. Por outro lado, a prática regular de atividade física, não apenas auxilia no balanço aporte/gasto energético, como pode preferencialmente contribuir para perda de adiposidade visceral. Também reconhecidos são os efeitos do exercício sobre o manejo do estresse. Assim, via atenuação das anormalidades hormonais induzidas pelo estresse, a atividade física "joga a favor" do peso saudável.A "epidemia de falta de tempo" do homem tem encurtado aquele dedicado às refeições, o que tem implicações sobre o tipo de alimento a ser consumido. O consumo de alimentos in natura é cada vez menor e vem sendo substituído pelos processados. O alto teor energético da dieta da modernidade se deve especialmente ao consumo de gorduras, cujos efeitos deletérios para o sistema cardiovascular são amplamente evidenciados em estudos envolvendo animais e seres humanos. Nada desprezível é também o elevado teor de sódio presente nos alimentos processados e em fast foods. Diversos trabalhos têm confirmado que a população mundial extrapola em muito a recomendação internacional para consumo de sal e que os prejuízos para a saúde são consideráveis (9). Também não faltam evidências de que a redução no consumo desse nutriente reverteria em redução de mortalidade, especialmente de origem cardiovascular (10).Em paralelo à epidemia de obesidade, as cifras de DM2 ao redor do globo se elevam de forma bastante preocupante. Inquérito populacional realizado em nove capitais brasileiras mostrou que no final dos anos 1980 o DM2 acometia 7,6% da população adulta (11); estudo mais recente, no interior de São Paulo, aponta percentual superior a 10%. Antes doença típica da maturidade, hoje já se manifesta em jovens; os avanços terapêuticos no controle da glicemia e das suas complicações crônicas têm permitido prolongar a vida embora com prejuízos da sua qualidade. A boa notícia é a de que está amplamente comprovado o papel da dieta associada à atividade física na prevenção do DM2 em indivíduos de risco (12).

O PAPEL DO AMBIENTE PARA DCNTs Estudos de populações que migram para um ambiente com características geográficas e culturais distintas representam oportunidade ímpar para se investigar o papel de fatores ambientais na gênese de doenças, como a obesidade e suas comorbidades. A literatura dispõe de exemplos apontando o impacto do novo ambiente na ocorrência de obesidade e de DM2 em populações migrantes. É o caso dos índios Pima que habitaram a região da Piméria – antigamente em terras mexicanas – hoje estado do Arizona, EUA. Essa população apresentava índice de massa corporal normal quando trabalhava arduamente na zona rural. A migração para a zona urbana impôs importantes mudanças socioculturais, redução da atividade física e alterações nos hábitos alimentares, determinantes de considerável ganho de peso. Atualmente, além de obesa, essa população apresenta a maior prevalência de DM2 registrada no mundo.
Outro exemplo vem dos imigrantes japoneses para as Américas. Originariamente, a população japonesa caracterizava-se por baixa morbimortalidade por DM2 e doença cardiovascular, mas mudanças socioculturais no Ocidente associaram-se a aumento no risco dessas doenças. Estudos conduzidos há décadas nos EUA foram pioneiros em revelar as consequências sobre a saúde dos imigrantes japoneses. Posteriormente, ocorreram duas ondas migratórias ao Brasil, de 1908 a 1941 e de 1953 a 1963, permitindo atualmente a coexistência de diferentes gerações de nipo-brasileiros no nosso meio. Hoje, a maior população nikkey fora do Japão vive em território brasileiro, especialmente no estado de São Paulo.
A reflexão sobre esse movimento migratório nos remete aos contrastes existentes entre os hábitos de vida dos habitantes destas duas regiões do globo. Desde os anos 1990, pesquisadores do Japanese-Brazilian Diabetes StudyGroup (JBDS) têm investigado o impacto do ambiente ocidental na saúde de imigrantes japoneses residentes no Brasil (13).
Em 1993, o JBDS estimou a prevalência de DM2 e doenças associadas em nipo-brasileiros de primeira e segunda gerações, residentes em Bauru, SP.Utilizando critérios específicos para asiáticos, 22,4% dos nipo-brasileiros foram caracterizados como portadores de excesso de peso na primeira fase do estudo.Em 2000, essa prevalência subiu para 44,2%, e 50,3% apresentavam obesidade abdominal.A prevalência de DM2 era mais que o dobro daquela observada na população geral brasileira e 4 vezes a do Japão; além disso, eram altas as frequências de hipertensão e dislipidemia, componentes da denominada síndrome metabólica. Ao mesmo tempo que esse quadro apontava para um papel deletério do ambiente ocidental, os descendentes japoneses pareciam ser geneticamente mais predispostos a essas doenças quando expostos a fatores ambientais, entre estes, os alimentares. Comparando-se a dieta consumida pelos dos imigrantes de Bauru e dos EUA com a dos japoneses em seu país de origem, verificou-se que o percentual calórico atribuído às gorduras nos nipo-brasileiros era o dobro daquele dos japoneses no Japão e equivalente ao dos nipo-americanos. No acompanhamento dessa população nipo-brasileira, o JBDS teve a oportunidade de detectar a associação de alimentação rica em gordura saturada(e consumo de carne vermelha pelos homens) com a ocorrência de síndrome metabólica.
Em 2005, motivado por esses achados, os pesquisadores do JBDS iniciaram uma terceira fase doestudo, que constou de programa deintervenção baseado em orientaçãopara dieta saudável e prática de atividade física,utilizando recursos factíveis em termos de saúde públicano Brasil.Após 2 anos de intervenção, observou-se, em média, diminuição nos parâmetros antropométricos, pressão arterial e níveis de glicemia e colesterol desses indivíduos.Concluiu-se, também, que um tempo de acompanhamento maior seria necessário para avaliar a persistência desses benefícios e o impacto dos mesmos no risco de desenvolver DM e eventos cardiovasculares.

CONSIDERAÇÕES FINAIS Importante ressaltar, como considerações finais, que o propósito deste texto não é assumir uma posição contrária ao ambiente moderno, nem tampouco contraindicar a atualização de hábitos de vida. Sob a perspectiva de profissional comprometida com a saúde pública, particularmente em questões relacionadas à nutrição, é o momento de compartilhar preocupações, alertar e, quem sabe, ampliar o campo de ideias e de práticas para reorientar as pessoas no rumo da boa nutrição. Mudanças comportamentais para promoção de vida saudável em ambiente francamente obesogênico são um grande desafio. Estratégias focadas exclusivamente no indivíduo não são suficientes para prevenção e controle de DCNTs. Ações conjuntas, envolvendo profissionais de diferentes áreas, da saúde, propaganda/marketing e educação, produtores de alimentos, órgãos governamentais, indústrias de alimentos, além de outras, poderão ser mais eficazes na elaboração de programas de estilo de vida saudável que resultem em qualidade de vida e longevidade.


NUTRIÇÃO E GENÉTICA - ESTÁ COMPROVADO: VOCÊ É O QUE VOCÊ COME!




mai09_1

Há anos se pesquisa o mapa genético do corpo humano (genoma), sendo que o maior desafio sempre foi explicar e decifrar o código genético do ser humano. Casos como por que às vezes o mesmo código genético exerce respostas diferentes, como o caso de   gêmeos univitelinos que possuem genes idênticos intrigava muito os estudiosos desta área. Assim, cientistas e médicos  especialistas ao longo de anos de estudos continuam a desvendar cada vez mais estes mistérios e acabam por enxergar um caminho promissor.

Essa revolução biológica aponta para os fatores ambientais, hábitos e estilo de vida como as respostas para essas questões.

Esses fatores são muito mais atuantes na ativação ou desativação dos genes do que se imaginava.
A alimentação, a atividade física, tabagismo, medicamentos, experiências emocionais, são capazes de “ligar” ou “desligar” determinados genes.

Essas “ligações” podem ser para o bem ou para o mal, ou seja, a partir dela pode-se desenvolver uma patologia.Ou não.

O ramo da medicina que estuda esses acontecimentos chama-se epigenética, a interação do meio ambiente com os genomas.

Antes se acreditava que o genoma era determinado apenas na fase fetal através do encaminhamento de nutrientes pelo cordão umbilical, e, assim era formado e definido. Agora, com essas descobertas, já se sabe que as mudanças podem ocorrer ao longo da vida. O câncer, uma das doenças do século, é comprovadamente desenvolvido a partir de apenas 15 a 20% de origem genética, 80% ocorre por eventos epigenéticos (o qual estamos explicando), ou seja, por razões as quais somos capazes de controlar.

Um estudo realizado com genes de gêmeos univitelinos que comprova que a alimentação entre eles durante toda a vida conseguiu mudar alguns genes de um deles ocasionando o câncer e no outro não.
A interação meio ambiente e genética pode ocorrer de 3 formas:

* Metilação: quando hidrogênios e carbonos se agrupam na base de alguns genes e impedem suas ligações
* Histonas: linhas que envolvem o DNA, de acordo com os estímulos externos podem deixá-lo mais ativo ou mais frouxo, podendo caracterizar, inclusive, o câncer.
* Micro-RNA´s: nucleotídeos que percorrem o genoma ligando e desligando genes.

Todas essas tendências de influência em nossa genética será melhor descrita e comprovada dentro de 10 à 20 anos.

Porém, o fator que atualmente está comprovado por determinar e prevalecer à genética é a alimentação. É fato que alimentos ricos em vitamina B podem reverter as histonas quando estas podem gerar a perda de memória e perda da função motora. A substância como o resveratrol, presente no vinho tinto gera a limpeza destas histonas em nosso corpo, ou seja, é definitivamente um fator de grande importância.

Como se vê, o fator alimentação é o comprovado cientificamente. E para se aprofundar nestes estudos é que existe a Nutrigenômica e a Nutrigenética:

NUTRIGENÔMICA: Regulação da expressão gênica por nutrientes e compostos bioativos de alimentos e o impacto no balanço saúde X doenças

NUTRIGENÉTICA: Influência da viabilidade genética na resposta à dieta.

maio09_2


A CIÊNCIA CONFIRMA

MEMÓRIA
A vitamina B12 (proteinas animais, leguminosas, ovos) pode ligar os genes relacionados às funções cerebrais, como a memória.

OBESIDADE
Uma alimentação rica em soja, vitamina B2 (fígado, amêndoas) e ácido fólico (espinafre, feijão)  desliga o gene da obesidade.

CÂNCER
Uma dieta rica em vegetais diminui a expressão dos genes ligados ao câncer de próstata em fase inicial.
Polifenóis presente na maçã – supressão do gene do tumor, presenciado no câncer de colon. Inbindo a proliferação.

ENVELHECIMENTO
O gene MTHFR (envelhecimento precoce e alguns cânceres) pode ser controlado com alimentos ricos em ácido fólico.

COCAÍNA
A perda da memória causada pelo uso de cocaína pode ser repassada de geração para geração.

FALTA DE CARINHO
A falta de carinho materno na infância altera os genes que controlam a produção do hormônio do stress, o que pode levar ao longo da vida, à transtornos como a depressão.

DOENÇAS CARDIOVASCULARES
O excesso do consumo de proteínas animais, gorduras saturadas e calorias, associados à diminuição do consumo de frutas, vegetais e fibras interferem diretamente nos fatores de transcrição gênica aumentando o risco de Doenças Cardiovasculares (DCV).